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Final Fantasy VII tem 29 anos e ainda é o jogo que mais formou jogadores no Brasil

22 mai 2026 por Josué dos Santos Domingues

Para. Respira. Vinte e nove anos.

Em 31 de janeiro de 1997, a Squaresoft lançou Final Fantasy VII no Japão para o PlayStation. Em setembro daquele mesmo ano, chegou ao Ocidente. E uma quantidade absurda de brasileiros que hoje têm entre 30 e 40 anos viram o mundo dos games mudar completamente na frente dos seus olhos, num televisor de tubo, com o controle de PS1 na mão e três CDs espalhados no chão.

Não estou conseguindo processar direito que são 29 anos. E ao mesmo tempo faz todo sentido, porque nenhum outro jogo da história formou tantos jogadores de RPG no Brasil do jeito que esse formou. Não é nostalgia. É fato verificável toda vez que você pergunta pra qualquer pessoa da geração PS1 qual foi o jogo que mudou tudo pra ela.

O que você precisa saber antes

Final Fantasy VII não chegou do nada. A Square saiu da Nintendo depois do Final Fantasy VI porque o PlayStation da Sony oferecia algo que o Super Nintendo não conseguia: CDs, com capacidade de armazenamento muito maior, e um processador que permitia gráficos 3D em tempo real. O planejamento do jogo começou em 1994, logo após o lançamento do VI, e a equipe chegou a cogitar uma ambientação em Nova Iorque no ano de 1999 antes de decidir pelo mundo de Gaia, uma ficção científica disfarçada de fantasia medieval com megalópoles, corporações, ecologia e trauma psicológico.

No Brasil, o jogo chegou sem tradução para o português, o que não impediu nada. Uma geração inteira aprendeu inglês básico jogando FFVII, consultando FAQs no GameFAQs que tinham que ser lidos no cyber café, trocando informações no recreio da escola e passando guias xerocados de mão em mão. O jogo virou comunidade antes de existir internet para isso.

Por que ele ainda não envelhece

Existe uma razão específica pela qual Final Fantasy VII continua sendo o ponto de entrada mais citado quando pessoas da geração PS1 falam sobre RPG, e ela não é gráfica. Os polígonos de 1997 envelheceram, obviamente. A câmera fixa em ambientes pré-renderizados tem suas limitações hoje. Mas o que não envelheceu foi a estrutura emocional do jogo.

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Cloud Strife é um protagonista construído em torno de uma mentira sobre si mesmo, e o jogo passa dezenas de horas construindo sua confiança antes de revelar que a fundação daquela confiança era falsa. Isso é narrativa de personagem sofisticada que a maioria dos jogos de hoje ainda não consegue executar com o mesmo impacto. A revelação do verdadeiro passado de Cloud não é um plot twist de roteiro. É uma demolição cuidadosa de tudo que você como jogador acreditava sobre o protagonista que estava controlando.

Sephiroth funciona como antagonista porque ele não é um vilão genérico. Ele é o pesadelo específico de Cloud. É a pessoa que Cloud admirava, que Cloud queria ser, transformada em alguma coisa que precisa ser destruída. Essa relação pesada entre protagonista e antagonista, onde o vilão é uma versão distorcida do que o herói poderia ter se tornado, virou template para toda uma geração de JRPGs.

E tem a Aerith. Cara, a morte da Aerith. Vinte e nove anos depois, ainda é o momento mais citado quando alguém pergunta qual cena de jogo gerou mais impacto emocional. E não é só porque ela morre. É porque Final Fantasy VII passou horas te fazendo acreditar que ela poderia ser revivida. Havia materia especial. Havia templos. Havia save states. A Square criou ativamente a expectativa de que a morte não era permanente e depois confirmou que era, e uma geração de jogadores viveu o luto como se fosse real. Isso é narrativa que respeita o jogador o suficiente para machucá-lo de verdade.

O que o jogo fez pela indústria

A influência de Final Fantasy VII na indústria é difícil de exagerar. Foi o primeiro JRPG a vender mais de 10 milhões de cópias no PlayStation original. Foi o jogo que provou que a narrativa cinematográfica funcionava em games, abrindo caminho para Metal Gear Solid em 1998, para Silent Hill, para toda uma linhagem de jogos que tratavam história com seriedade. Foi o jogo que consolidou o PlayStation como o console dominante da geração, desbancando definitivamente o Nintendo 64 no segmento de RPG.

O design de personagens também mudou a linguagem visual dos JRPGs. A combinação de espada enorme e cabelo espetado de Cloud virou quase obrigatória durante anos, e Tetsuya Nomura, responsável pelo design dos personagens, se tornou um dos artistas mais influentes da indústria. A trilha sonora de Nobuo Uematsu, com temas como One-Winged Angel, Still More Fighting e Aerith's Theme, é tocada em orquestras até hoje e colocada em listas dos melhores trabalhos musicais da história dos games sem qualquer discussão.

O que 2026 fez pelo legado

O aniversário de 29 anos acontece num momento específico que torna a celebração ainda mais carregada. Final Fantasy VII Rebirth, o segundo capítulo da trilogia de remakes, chega ao Nintendo Switch 2 e ao Xbox Series X/S em 3 de junho, tornando a trilogia disponível em todas as plataformas pelo primeira vez. Um vazamento fortíssimo circulando no ResetEra desde o início de maio aponta que o terceiro e último capítulo, possivelmente chamado Final Fantasy VII Return, será revelado no Summer Game Fest de 5 de junho.

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Isso significa que estamos, potencialmente, a duas semanas da última grande revelação da trilogia que começou em 2020. A Square Enix vai finalmente mostrar como pretende encerrar a história que começou em 1997. O que eles vão fazer com o destino de Aerith sabendo que todo mundo já sabe o que acontece. O que vão fazer com Zack Fair, cujo papel foi expandido dramaticamente em Rebirth de um jeito que o original nunca fez. O que o Highwind vai representar como hub de exploração num mapa prometido como duas vezes maior que o de Rebirth.

Vinte e nove anos de construção emocional convergindo num único anúncio que está, literalmente, a dias de acontecer.

A análise do Tudo Geeks

Eu tinha seis anos quando Final Fantasy VII lançou no Japão. Não joguei no lançamento japonês, obviamente. Mas quando chegou ao Ocidente em setembro de 1997, com seis anos e um PS1 em casa, eu estava lá. E olha, com seis anos você não entende metade do que está acontecendo na tela. Você não processa a profundidade do trauma de Cloud, não capta a crítica ambiental da Shinra, não lê as nuances da relação entre Sephiroth e Genesis. Mas você sente que aquilo é maior do que qualquer coisa que você já tinha visto num jogo. Essa sensação de escala, de estar dentro de algo que importa de verdade, ficou.

Voltei ao jogo com oito, dez, doze anos. Cada vez entendendo uma camada nova. A morte da Aerith no meu primeiro playthrough eu não processei direito porque achei que era reversível, que havia materia, que havia um jeito. Quando entendi que não havia, demorei pra aceitar. Esse é o tipo de coisa que só um jogo faz quando você está crescendo junto com ele.

O que me impressiona mais em 2026 não é que o jogo ainda seja lembrado. É que ele ainda está gerando conversa. A trilogia de remakes não existe só porque a Square queria dinheiro fácil de nostalgia, embora esse componente claramente exista. Ela existe porque Final Fantasy VII tem material suficiente pra ser recontado de outro ângulo e ainda ser interessante. Remake expandiu Midgar de um jeito que o original nunca poderia ter feito no espaço de um CD. Rebirth explorou o mundo aberto de Gaia com uma riqueza de detalhe que em 1997 dependia completamente da imaginação do jogador.

O que o Part 3 vai precisar fazer é encerrar isso de um jeito que honre tanto quem estava lá em 1997 com seis anos e um controle de PS1 na mão, quanto quem está jogando pela primeira vez em 2026. É a missão mais difícil da trilogia porque as duas audiências têm expectativas opostas. Os veteranos querem que alguns destinos sejam respeitados, especialmente o da Aerith, porque a força emocional de 29 anos depende disso. Os novos jogadores querem que a trilogia possa ir pra qualquer direção sem o peso do original.

A Square vai precisar encontrar um jeito de fazer os dois ao mesmo tempo. E em 5 de junho, provavelmente, a gente começa a entender se eles encontraram.

O que esperar

Final Fantasy VII Rebirth chega ao Switch 2 e ao Xbox Series X/S em 3 de junho. O Summer Game Fest acontece em 5 de junho, com o anúncio do Part 3 fortemente indicado pelo vazamento do ResetEra e pelos sinais públicos do diretor Naoki Hamaguchi. Se o timing se confirmar, o mês de junho vai ser o maior mês da franquia desde o lançamento de Remake em 2020.

Recomendação geek

Se você nunca jogou o original e quer entender de onde vem todo esse peso emocional antes de entrar na trilogia, o Final Fantasy VII original está disponível na PS Store e na Steam com melhorias de qualidade de vida que tornam a experiência mais acessível hoje. É o ponto de partida que explica tudo.

Final Fantasy VII Original — Amazon/PS Store

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E você: qual foi o momento de Final Fantasy VII que mais te marcou, a morte da Aerith, a revelação do passado de Cloud ou o confronto final com Sephiroth?

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