⚠️ SPOILERS dos jogos Devil May Cry 1, 3 e 5
Se você só acompanha a série na Netflix e quer chegar zerado, não leia. Mas se quiser entender de verdade o que está por trás do confronto de Dante e Vergil na segunda temporada, continua aqui.
A maldição de Sparda: por que Dante e Vergil estão condenados a se destruir
Cara, a segunda temporada de Devil May Cry estreia amanhã na Netflix e todo mundo está falando da rivalidade entre os irmãos. Mas a galera que não jogou os games vai assistir a série sem entender que o confronto entre Dante e Vergil não é só uma briga de irmão. É a continuação de uma tragédia que começou dois mil anos antes de qualquer um dos dois nascer, e que o pai deles colocou em movimento sem saber.
Pra entender Dante e Vergil, você precisa entender Sparda primeiro.
Dois mil anos antes dos eventos dos jogos, Sparda era o guerreiro mais poderoso do mundo demoníaco e o braço direito de Mundus, o Imperador das Trevas. Era o sujeito mais leal que o vilão da franquia tinha. E então, em algum ponto que os jogos nunca mostram com clareza total, Sparda simplesmente acordou pra justiça. Viu a tirania de Mundus, se rebelou contra toda a legião demoníaca, derrotou o Imperador sozinho e selou o portal entre os mundos usando seu próprio poder e sangue de uma sacerdotisa humana. No processo, perdeu boa parte de suas habilidades demoníacas. E depois, séculos mais tarde, apareceu no mundo humano, se apaixonou por uma mulher chamada Eva e teve dois filhos gêmeos.
Aqui está o detalhe que eu acho mais perturbador da lore toda: a Yamato, a katana de Sparda, foi deixada para
Vergil. A Rebellion foi deixada para Dante. Duas espadas que representam conceitos opostos: a separação e a
rebeldia. É quase como se Sparda soubesse que os filhos iam seguir caminhos diferentes e deixou pra cada um a
ferramenta que mais combina com o destino que eles escolheriam.
Quando Mundus enviou demônios pra atacar a família, Eva foi morta. Dante e Vergil, com sete ou oito anos, se
separaram no caos. E aqui começa a divergência mais importante da história toda: Vergil acreditou que a mãe o
abandonou. Essa suspeita falsa moldou tudo o que ele se tornou. Ele passou o resto da vida interpretando a
ausência de Eva como abandono, e a conclusão que tirou foi que a humanidade é fraqueza. Que sentir é ser
vulnerável. Que o único jeito de nunca ser destruído de novo é ser poderoso o suficiente pra que ninguém consiga
chegar perto.
Análise do Tudo Geek
Devil May Cry tem uma das franquias de games mais carismáticas da história, e o problema de qualquer adaptação é exatamente esse: quando o material original é bom demais no que faz, qualquer desvio parece traição para uma parte da base de fãs.
O que me fascina nessa estrutura é que Dante e Vergil não são opostos no sentido clássico de bem contra mal. Eles são a mesma ferida se manifestando de formas diferentes. Dante perdeu a mãe, perdeu o irmão, passou a infância sozinho, e a resposta dele foi criar uma casca de humor e irreverência que funciona como escudo. Ele ri porque é mais fácil do que chorar. Vergil perdeu as mesmas coisas e decidiu nunca mais sentir nada que pudesse ser tirado dele.
A busca de Vergil pelo poder de Sparda nos jogos é frequentemente lida como vilania pura. Mas quando você olha de perto, o que ele quer não é dominar o mundo. Ele quer o poder que o pai tinha. O mesmo poder que não conseguiu proteger a família. É um loop trágico: Vergil quer ser forte o suficiente pra nunca perder alguém de novo, mas o caminho que escolheu pra chegar lá é exatamente o que garante que ele vai continuar perdendo tudo.
Em DMC3, quando Dante o derrota e estende a mão pra ajudá-lo, Vergil escolhe cair no abismo do Inferno em vez de aceitar a ajuda. Esse é o momento mais revelador da franquia inteira. Ele prefere a queda ao ato de precisar de alguém. E no Inferno, Mundus o encontra, o tortura e o transforma em Nelo Angelo, um cavaleiro escravizado. O sujeito que buscava poder pra nunca ser controlado se tornou literalmente uma marionete. A tragédia grega não podia ser mais perfeita.
O que a segunda temporada da Netflix tem a oportunidade de fazer é mostrar esse nível de complexidade. A primeira temporada apresentou Vergil só no final, e a avaliação inicial de quem conhece os jogos é que o personagem pareceu raso demais. Se Adi Shankar e a equipe conseguirem transmitir que Vergil não é um vilão, mas um homem partido que tomou as decisões erradas pelas razões certas, a segunda temporada vai superar a primeira em muito. Se ficarem só na superfície do irmão mal que quer poder, vai ser uma oportunidade desperdiçada.
Onde comprar action figures de Devil May Cry no Brasil
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O que esperar
A segunda temporada entra na dinâmica dos jogos a partir de DMC3 e vai explorar justamente esse confronto de filosofias. Com a revelação de que Nero é filho de Vergil, que os jogos fizeram em DMC4, o roteiro tem material de sobra pra construir camadas que a primeira temporada não teve tempo de tocar. Quando a série finalmente mostrar Vergil reconhecendo o filho, vai ser o teste definitivo de até onde Adi Shankar está disposto a ir com essa lore.
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Você acha que a Netflix vai fazer jus à complexidade de Vergil, ou vai simplificar o personagem pra agradar quem não conhece os jogos?