Nicolas Cage vai interpretar um Homem-Aranha bêbado, cínico e envelhecido nos anos 1930, e a série chega em 27 de maio. Não tô conseguindo processar o quanto isso é exatamente o que eu precisava no meu streaming.
Spider-Noir: a série que ninguém esperava pode ser a melhor história do Homem-Aranha em anos
Cara, quando a Sony e a Amazon anunciaram Spider-Noir, a reação da internet foi basicamente um ponto de interrogação gigante. Não porque fosse uma ideia ruim, mas porque ninguém tinha ousado imaginar isso. Um Homem-Aranha velho, desgastado, operando como detetive particular na Nova York da Grande Depressão, em preto e branco, com Nicolas Cage no protagonismo. Parece o pitch de um fã que bebeu demais numa convenção. E ainda assim, quanto mais eu leio sobre essa série, mais eu acho que ela pode ser a aposta mais inteligente do universo do Aranha desde o Aranhaverso.
O personagem existe nos quadrinhos desde 2009. Ben Reilly é uma versão alternativa do Homem-Aranha ambientada numa Nova York dos anos 1930, onde ele foi o único super-herói da cidade, operando sob o nome de O Aranha. Nos filmes animados do Aranhaverso, ele apareceu como personagem secundário dublado pelo próprio Nicolas Cage, e virou um dos favoritos da galera justamente pelo contraste absurdo de estética com o resto do elenco. Era o único preto e branco num mundo colorido. Agora ele ganha uma série própria, em live-action, com 8 episódios e um elenco que não tem nada de modesto.
A série estreia em 27 de maio no Prime Video com todos os episódios disponíveis de uma vez. Uma das escolhas criativas mais ousadas é o lançamento simultâneo em duas versões: a "Authentic Black and White", que aposta no clima noir clássico dos anos 1930, e a "True-Hue Full Color", pra quem prefere ver o mundo de Ben Reilly em cores. Isso por si só já é um experimento que eu não via desde Mad Max: Estrada da Fúria, que ganhou versão em preto e branco anos depois do lançamento original.
Na história, Ben Reilly abandonou a identidade de O Aranha após uma tragédia pessoal e passou a trabalhar como detetive particular. Quando um caso excepcional aparece, ele precisa decidir se volta a ser o herói que a cidade precisa. É a estrutura clássica do noir: o homem que tentou deixar o passado para trás e o passado não deixa. Pensa num Logan, mas nos anos 1930 e com teias.
Análise do Tudo Geek
O elenco de apoio é absurdamente bom pra uma série que muita gente ainda não colocou no radar. Brendan Gleeson, que você conhece de Os Banshees de Inisherin e Harry Potter, está como Silvermane, o chefe da máfia que domina o crime organizado de Nova York. Jack Huston interpreta o Homem-Areia nessa versão dos anos 1930. Lamorne Morris, de New Girl, é Robbie Robertson, o jornalista que cruza o caminho de Ben Reilly. E Li Jun Li vive Cat Hardy, uma cantora de boate com muito mais camadas do que aparenta. É o tipo de elenco que você olha e percebe que ninguém aqui está de passagem.
O showrunner Steve Lightfoot já trabalhou em O Justiceiro da Marvel na Netflix, ou seja, sabe montar uma história de vigilante urbano com peso dramático de verdade. E a direção dos primeiros dois episódios ficou com Harry Bradbeer, o mesmo de Killing Eve. Junta tudo isso e você tem uma série que claramente não quer ser mais um produto de super-herói. Ela quer ser boa televisão que tem um Homem-Aranha no centro.
O detalhe que mais me diverte é o slogan que a produção escolheu pro marketing: "Sem poder, não vem responsabilidade." É uma cutucada direta no lema mais famoso do universo do Aranha, e diz tudo sobre o tom que a série está buscando. Ben Reilly não é Peter Parker. Ele é mais velho, mais cansado, mais disposto a dar um soco na cara de alguém quando a situação pede. É exatamente essa diferença que faz a série parecer necessária.
O que esperar
A estreia no dia 27 de maio vai movimentar o streaming de um jeito que maio ainda não viu, mesmo com a concorrência pesada do mês. O formato de maratona com todos os episódios disponíveis de vez é a escolha certa pra uma série noir, porque o gênero vive de ritmo e tensão acumulada. A discussão sobre qual versão assistir, a colorida ou a em preto e branco, já está rolando e vai criar dois campos de fãs com opiniões muito firmes. E se a série entregar o que o elenco e a equipe prometem, Spider-Noir tem tudo pra ser a conversa de junho no universo geek.